terça-feira, 15 de julho de 2014

O modelo dos modelos
Diante da leitura, Ítalo em seu texto relata que Palomar inicialmente acreditava que por meio de modelos resolveria tudo e a partir de cada construção necessitaria de vários modelos e que esses podiam ser transformáveis. Lembrei-me de um texto que li há algum tempo, que se relaciona bem com o texto de Ítalo, onde o professor castra totalmente a criatividade do aluno, querendo que o mesmo seja simplesmente um copista. O menino pintor “Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Uma manhã, a professora disse: Hoje nós iremos fazer um desenho. Que bom! - pensou o menininho. Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... Pegou a sua caixa de lápis-de-cor e começou a desenhar. A professora então disse: - Esperem, ainda não é hora de começar ! Ela esperou até que todos estivessem prontos. Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores. E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul. A professora disse: - Esperem ! Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com caule verde. Assim, disse a professora, agora vocês podem começar. O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde. Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse: - Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro. Que bom !!!!. Pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então, a professora disse: - Esperem ! Não é hora de começar ! Ela esperou até que todos estivessem prontos. Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato. Que bom ! - pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse: - Esperem ! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar. E o prato era um prato fundo. O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora. E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio. Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. Essa escola era ainda maior que a primeira. Um dia a professora disse: - Hoje nós vamos fazer um desenho. Que bom! - pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Então veio até o menininho e disse: - Você não quer desenhar ? - Sim, e o que é que nós vamos fazer ? - Eu não sei, até que você o faça. - Como eu posso fazê-lo ? - Da maneira que você gostar. - E de que cor ? - Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o desenho de cada um ? - Eu não sei... E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde ...” Devemos eliminar a padronização, a receita de bolo, adotar a criatividade, estimular e explorar desafios, valorizar o ser humano como ele é, tendo o direito de expressar-se da maneira que sabe e quer, partindo sempre da capacidade que cada um tem. Esse é o trabalho do AEE proporcionar ações para o pleno desenvolvimento das potencialidades dos alunos, valorizando o aluno e não enfatizando a sua deficiência.