SURDOCEGUEIRA
A surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo o fascículo (AEE-DM), as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias: pessoas que eram cegas e se tornaram surdas; que eram surdos e se tornaram cegos; pessoas que se tornaram surdocegos; pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem.
Surdocegueira congênita: quando a criança nasce surdocega ou
adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma
língua (português ou Libras – Língua Brasileira de Sinais). Um exemplo mais
freqüente destes casos é a criança com seqüelas da síndrome da rubéola
congênita.
Surdocegueira adquirida: quando a pessoa ficou surdocega
após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada. Os exemplos mais frequentes
deste grupo são pessoas com Síndrome de Usher.
Por
que a Surdocegueira não é uma Deficiência Múltipla
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica
surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira
fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos
canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico,
proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência Múltipla não
garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma
fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou
audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela
maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.
O
QUE É DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA?
As pessoas com surdocegueira e com deficiência
múltipla, que não apresenta graves problemas motores, precisam aprender a usar
as duas mãos. Isso para servir como tentativa de diminuir as eventuais
estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento
de um sistema estruturado de comunicação.
Devido às dificuldades fonoarticulatórias, motoras
ou mesmo neurológicas, é comum nessas pessoas algum tipo de limitação na
comunicação e no processamento e elaboração das informações acolhidas do seu
entorno. Isso pode resultar em prejuízos no processo de simbolização das
experiências vividas, por acarretar carência de sentido para as mesmas.
Prioritariamente deve-se, portanto, disponibilizar
recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada no registro
simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como o gestual, por
exemplo.
QUAIS
ESTRATÉGIAS QUE SÃO UTILIZADAS PARA AQUISIÇÃO DE COMUNICAÇÃO?
Dentre
as estratégias para criar, facilitar e desenvolver a comunicação não simbólica
se deve levar em conta:
Compensar a perda dos sentidos à
distância: A habilidade individual para
explorar encontra-se limitada pela perda sensorial. Para alcançar este fim,
podem ser estabelecidas estratégias com posições que impliquem o contato
corporal com os pares comunicativos, assim como, a manipulação do ambiente com
pequenos movimentos, o que implica ajudar a criança no reconhecimento de
pessoas familiares através da exploração tátil e visual.
Responder às tentativas de
comunicação: As crianças realizam tentativas
de comunicação através de formas muito simples, em alguns casos imperceptíveis,
como uma mudança na tensão muscular, um movimento dos olhos ou de uma mão;
estas tentativas devem ser respondidas. Assim mesmo, devemos prestar atenção às
condutas estereotipadas. Estas tentativas, se canalizadas, podem chegar a se
transformar em formas de comunicação não verbal intencional.
Consistência: as rotinas consistentes e estruturadas ajudam a
criança surdocego e multideficiente a antecipar os próximos eventos. As
interações devem ser consistentes, tanto nas rotinas como nas formas de
comunicação. Uma vez que tenham sido estabelecidas as rotinas, uma interrupção
na sua seqüência pode favorecer a interação comunicativa.
Proporcionando contingências: A contingência no conhecimento ou consciência de
que uma ação é importante para dar ênfase às relações entre os comportamentos e
seus efeitos. Uma criança tem sua conduta reforçada quando um resultado
desencadeado por esta conduta é positivo. Nestas circunstâncias, o estudante
deve estar munido de contingências para aprender que estas expressões têm
antecipações e elas podem ser desenvolvidas para exercer o controle sobre a
vizinhança.
Criando a necessidade de se
comunicar: Se nada positivo acontece como
resultado dos esforços comunicativos ou se todas as necessidades ou desejos do
estudante são proporcionados sem esforço ou pedido, devem ser criadas situações
onde a criança tenha que interagir para poder participar e obter a atividade
desejada.
Introduzindo um tempo de espera
nas respostas: Uma vez que a necessidade de se
comunicar tenha sido estabelecida, a criança requer um tempo para dar a sua
resposta. A criança surdocego e multideficiente precisa de mais tempo para
responder.
Estabelecer uma vizinhança
cooperativa social: Muitas crianças não são
consideradas pelos outros dentro do seu ambiente e isto diminui as
oportunidades para interagir. Estabelecer categorias individuais para o ensino
pode inadvertidamente diminuir a interação social e comunicacional. Devem ser
criadas situações que envolvam duas ou mais pessoas que implique uma
participação recíproca ou onde seja necessário cumprir turnos e mantê-los;
também deverão ser estabelecidos turnos com rotinas diárias, assim como, ter a
oportunidade de interagir com crianças menos limitadas ou que não tenham
limitações.
Incrementar as expectativas
comunicacionais: Incrementar a comunicação não
simbólica a partir de uma variedade de situações diárias, aumenta a
complexidade e diversidade da interação comunicacional. A comunicação simbólica
nem sempre tem que ser a meta. Muitas crianças surdocegos permanecem neste
nível comunicativo porque existe algum problema neurológico; talvez não o
superarão e nem desenvolverão as habilidades suficientes à nova etapa exigirá
delas. Intensificar e especializar as habilidades de comunicação não simbólica,
são esforços que tendem a obter maior controle sobre o seu meio. Uma estratégia
pode ser usar freqüentemente gestos naturais nas interações com crianças que
não usem sinais, dando maior ênfase às respostas através de diferentes ações,
gestos, sinais e vocalizações para criar uma maior comunicação intencional.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação.
Secretaria de Educação Especial. Educação Infantil Estratégia e orientações
pedagógicas para a educação de crianças com necessidades educacionais
especiais: Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem. Deficiência Múltipla. Brasília:
MEC/SEESP,2002.


Lúcia,
ResponderExcluirpra encarar o desafio de contribuir significativamente para a inclusão das pessoas com deficiência múltipla e/ou surdocegueira informação, estudo, pesquisa nunca são demais. Seu post deixou interessantes contribuições.